Andrea Matarazzo começa 2015 com demagogia e falta de memória

Andrea Matarazzo em Defesa da acao do Estado no Pinheirinho

Andrea Matarazzo discute com manifestantes em defesa da ação violenta no Pinheirinho

 

O vereador de São Paulo e um dos expoentes do PSDB paulista começa o ano de 2015 com demagogia e falta de memória, ao falar sobre a região da Luz e o Programa de Braços Abertos.

O vereador em uma de suas primeiras postagens do ano afirmou: A situação está trágica, parece um cenário de guerra, com milhares de pessoas vagando sem rumo e uma nova favela crescendo no lugar. Era óbvio que o programa não poderia ter resultados. Como tratar dependentes químicos hospedados ao lado dos traficantes? Como curar dependentes dando a eles trabalho em ambiente cercado por traficantes?“https://www.facebook.com/AAndreaMatarazzo?fref=nf

Me parece que o vereador paulista esquece rápido das coisas. Durante os governos de Kassab/Serra, na qual foi Subprefeito da Sé e chegou a ser Secretário de Coordenação das Subprefeituras, a região da Luz foi tomada pela Operação Sufoco que prometeu resolver a situação, chegando ao ponto de o Prefeito Kassab afirmar: ”Não existe mais a velha cracolândia deteriorada, a serviço da droga, a serviço do crime. Cada vez mais essa é uma página virada na história de São Paulo”.

O governador Alckmin afirmou também: “Nas ruas Helvétia e Dino Bueno não tinha como passar. Hoje é uma outra realidade na região”.

O fato é que essa “outra realidade” nunca ocorreu.

Para relembrar o Vereador:

A Operação Sufoco foi um tremendo fracasso e só serviu para aprofundar a violência policial, o desrespeito aos Direitos Humanos e espalhar os usuários por toda a região da Luz. A Defensoria Pública na época registrou um total de 79 ocorrências em 11 dias.

A Operação Sufoco ou Operação Dor e Sofrimento, teve como seu eixo central o “combate ao tráfico” e a repressão policial. Mas, o resultado objetivo foi uma espetacularização midiática, com cenas, essas sim, cenário de guerra, com bombas, agressões a usuárias grávidas e muita violência, até uso de helicóptero teve. Qual o resultado?

Em relação, ao tráfico não teve prisão de nenhum importante traficante, a região da Luz teve os usuários espalhados por diversas ruas e a apreensão de drogas foi pífia, segundo boletim divulgado na época cerca de 80 quilos de drogas. O crack respondeu pela menor parcela: 12 quilos, pouco mais de 16% do total. “Se o grande discurso é o combate ao crack, é uma quantidade irrisória para o grande número de pessoas que fazem uso de drogas na região”, afirmou Daniela Skromov, na época coordenadora-auxiliar do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado de São Paulo. “Então, das duas, uma: ou o combate ao crack é um discurso falso e há outros interesses por detrás; ou a operação não é um sucesso, como eles dizem.”

Além do problema da violência policial e do pífio resultado de “combate às drogas e ao tráfico” o fracasso da Operação Sufoco foi também em atrapalhar o trabalho de assistentes sociais, profissionais de saúde e projetos de acesso a justiça que eram desempenhados na região.

O desembargador Antonio Carlos Malheiros afirmou no dia 11 de janeiro de 2012, na Câmara Municipal de São Paulo, que: “A ação policial na Cracolândia e a dispersão dos usuários de crack fizeram voltar à estaca zero o trabalho feito há cinco meses pela área de Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) de criação de um posto móvel”.

Depois, dessas lembranças para a fala demagógica do Vereador Andrea Matarazzo, que foi Subprefeito da Sé, e que prometeu uma “Nova Luz” e entregou um agravamento do problema na região, é importante destacar os números do Programa de Braços Abertos e seu sentido inovador de enfrentar um problema complexo e que não tem saídas milagrosas.

O Programa de Braços Abertos já difere na lógica da Operação Sufoco, enquanto uma se centra no “combate a droga” no “combate ao crack” e na repressão policial, o de Braços Abertos se concentra nos usuários, nas pessoas, que estão ali, buscando garantir direitos e principalmente tratamento e cuidado.

Os resultados nesse primeiro ano começam a aparecer são 500 pessoas atendidas, com mais de 120 pessoas em tratamento voluntário com redução de 60%, em média, do consumo de crack, 50 delas já foram morar com as famílias, 20 conseguiram ir trabalhar com carteira assinada e mais de 40 estão em cursos de capacitação na Fábrica Verde. Todas as mulheres estão sendo acompanhadas por ginecologistas e mais de 600 atendimentos dentários.

Diante dos novos usuários e das novas barracas que surgiram nesse fim de ano, não podemos dar passos atrás e cair nas falsas tentações de Programas fracassadas de gestão anteriores, como Antonio Lancetti em recente artigo para Folha lembrou: Frente aos novos desafios, é mister lembrar que as intervenções do tipo `solução final`, como as internações forçadas e os encarceramentos, foram condenadas pela ONU e já demonstraram seu fracasso”.

Nessa perspectiva queremos que em 2015, diferente da demagogia e da falta de memoria de Andrea Matarazzo, que o Programa DBA aprofunde suas ações de Redução de Danos e de Promoção de Cidadania e se espalhe por toda a cidade, consolidando essa Nova Política de Drogas Pública e Não Segregativa.

Leonardo Pinho – Presidente do Conselho Municipal de Drogas – SP (COMUDA) e Coordenador da Comissão Temática de Saúde Mental e Drogas do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CONDEPE)

Fabio Belloni – Conselho Nacional de Direitos Humanos

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2 thoughts on “Andrea Matarazzo começa 2015 com demagogia e falta de memória

  1. A verdade é que ninguém de fato fez nada, seja kassab ou haddad, pois aparentemente ninguém sabe como agir com drogados em crack. Falar e apontar para o outro é fácil, mas resolver parece impossível.

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    • Eduardo, o Haddad pelo menos tomou a medida para cuidar, tratar daquelas pessoas… tem implementado trios, de secretarias diferentes, que acompanham os usuários, também tomou medidas para garantir um lugar mais digno para eles dormirem, não mais jogados nas ruas, colocou a opção de trabalho. Enquanto, Andrea só jogou gas, bombas, e so piorou a região.

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